PARCEIRAS DE PÃO PARA O MUNDO REFLETEM SORE O CONTEXTO SÓCIO-POLITICO

No dia 13 de setembro de 2022 o ELO promoveu junto à Pão para o Mundo uma Roda de Diálogo com um grupo de Organizações Parceiras sobre o contexto sócio-político no Brasil, que reuniu 17 pessoas, entre representantes da CESE, FASE, MST, SOS Corpo, ABONG/IBASE e de PPM, através da Plataforma Zoom.

A acolhida foi realizada pela Coordenadora Executiva do ELO, Camila Veiga e a Oficial do Programa Brasil em PPM, Martina Winkler, que destacaram a iniciativa em experimentar novos formatos de atividades virtuais e enfatizou que apenas alguns parceiros foram convidados para esse encontro a fim de refletir acerca do desmantelamento das Políticas Públicas no campo dos Direitos Humanos no Brasil e o acirramento da crise institucional e ameaças antidemocráticas do atual governo às vésperas das Eleições.

Na primeira exposição, Sônia Mota, Coordenadora da CESE, ressaltou que o momento é importante e necessário para possibilitar uma escuta diante da grande tensão e angústia em nosso país devido o crescimento da violência e da polarização política desta corrida eleitoral. Com a missão de sistematizar os desafios que envolvem “Política e Religião”, Sônia destacou que há no congresso nacional uma enorme disputa pelo poder por parte de diversas religiões e que, segundo os dados oficiais, houve o aumento do números de parlamentares ligados diferentes religiões, e que essas bancadas muitas vezes se unem, puxadas pelos fundamentalistas, e acabam pautando na casa legislativa uma agenda ultraconservadora que acaba colocando em risco, por exemplo, o direito das mulheres, a exemplo do tema do aborto. Vale ressaltar que os congressistas trazem suas funções religiosas para dar destaque à sua concepção e que no próprio poder judiciário, muitos juristas já aparam suas sentenças com citações bíblicas.

Sônia Mota partilhou diversos exemplos que demonstram os retrocessos e as violações de direitos, e que retrata a campanha para o atual processo eleitoral em nosso país.

Leticia Tura, da FASE, observou que há 20 dias das eleições, continuamos visualizando os Desmontes e Ataques nos Direitos Socioambientais no Brasil, em especial com o desrespeito as comunidades tradicionais, na contramão da necessidade de responder aos desafios no combate ao incêndio das áreas protegidas, da prevenção a seca, aos impactos das enchentes, entre outros. Os dados alarmantes demonstram como tudo está acelerado e que muita coisa ainda pode acontecer. Tura pontuou também sobre o esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente e dos órgãos públicos fiscalizadores pelo atual governo federal, além do desmonte dos espaços de controle, governança e de participação social. Como exemplos, citou a flexibilização do licenciamento e da liberação de agrotóxico, entre outras ações que reforçam a permissibilidade do atual governo.

Apesar disso, enfatiza o importante papel da sociedade civil em tornar público tais ações, garantindo a sistematização e a análise estatística, a fim de garantir a denúncia e a visibilidade, inclusive internacional, com as oportunidades dadas por PPM ao priorizar tal debate.

Leticia avaliou que é necessário refletir não só sobre o Brasil que queremos para o futuro, e sim o que queremos para todo o mundo. Neste momento de pós-covid e a possibilidade de retomada da democracia é muito importante para reconstruir todo o aparato institucional de preservação ambiental, a fim de garantir direito a terra, território e a demarcação. No entanto o debate deve ser ainda mais amplo, ela lembra que precisamos rever a base de sustentação da economia. Há um grande desafio, para as nossas organizações nacionais e internacionais, em defender a preservação ambiental, mas também garantir a saúde, a proteção social, equidade racial e qualidade de vida.

As reflexões seguiram para o debate com os demais participantes, Athayde/ABONG, mencionou que a ABONG criou um GT para focar no tema da fé religiosa diante da luta política e da preocupação do que seria de nossa sociedade sem a formação da base política que as religiões edificaram, em torno da teoria da libertação e que a atual teoria predominante não permite, pois apenas cita as falas sem permitir a troca e a reflexão política. Avaliou também, que do ponto de vista ambiental, nossa situação é muito difícil, e que precisa rever os nossos reais argumentos sobre esse tema.

No debate também foram destaques: aumento da violência política e em especial, ao crescente aumento de violência contra a mulheres, do assassinato de pessoas trans e do ódio que foi reforçado e incentivado pelo atual governo. E mesmo diante de uma possível mudança, não nos afastaremos do forte movimento bolsonarista, ou seja, uma onda ultraconservadora de direita ramificada em várias setores da sociedade,  e que será um grande desafio para um novo governo de esquerda, se confirmada a eleição de Lula /PT, e compreender quais serão as moedas de troca, em nome da governabilidade.

O MST, representado por Isis Campos, reafirma a importância de colocar a fome como o tema central do Brasil, embora, reavivar esse tema seja um grande retrocesso para a sociedade. A decisão de incentivar representantes do movimento a disputar o pleito no campo municipal e estadual, está sendo uma estratégia política do MST, pois precisamos ocupar este parlamento. Recuperamos o folego nos últimos anos, co campo da militância e formação das bases, mas ainda precisamos avançar muito na articulação dos movimentos sociais a fim de fortalecer a própria sociedade civil e juntas enfrentarmos os desafios que teremos pela frente, diante da nova esquerda nacional e internacional.

Os representantes de PPM realizaram diversas provocações aos participantes a fim de refletir acerca da polarização e buscar caminhos para aperfeiçoarmos as estratégias conjuntas e ampliar o diálogo com as massas; ressaltaram o apoio à eleição da Lula, no primeiro turno, contudo percebe que há diferentes projeções do próprio pleito. Os diversos retrocessos visíveis, ainda traz surpresas, e se questionam, como, diante de tantos absurdos, ainda há eleitores que continuam apoiando o atual governo? Os questionamentos seguiram em torno dos caminhos possíveis para fortalecer a sociedade civil, diante da sua capacidade de se articular e mesmo não se mantendo no poder, as forças conservadoras continuarão fortes na própria política, diante das possíveis alianças e da disputa ideológica, de narrativa.

Ao final, as participantes alertaram que ainda é preciso cautela, refletir os riscos de um segundo turno, combater e enfrentar as fake News, desarmar a população e, principalmente reestruturar um espaço de dialogo e de formação. Após a eleição, ´w preciso fazer um balanço da direita no Brasil com o intuito de compreender a sua real capacidade e organicidade para um possível acordo de paz, pois nunca chegamos a tal nível de violência, precisamos nos instrumentalizar para apoiar esse diálogo.

Confira os artigos elaborados por Sonia Mota e Letícia Rangel Tura para subsídio ao encontro:

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